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Salmos 32 - Do arrependimento à esperança

Salmos 32 é um poema maravilhoso de se contemplar e fica ainda mais marcante se analisamos o seu contexto. Concordo que o contexto para ele existir não é tão belo, porém o ser humano é essa máquina de pecado que conhecemos.

Ler o salmo já nos abala por conta do arrependimento, mas vamos nos aprofundar, pois conhecimento aqui só irá nos edificar. No livro de 2 Samuel, no capítulo onze, acontece um episódio bem lamentável na vida de Davi.


Segue o texto:

¹ Na primavera, época em que os reis saíam para a guerra, Davi enviou para a batalha Joabe com seus oficiais e todo o exército de Israel; e eles derrotaram os amonitas e cercaram Rabá. Mas Davi permaneceu em Jerusalém.

² Uma tarde, Davi levantou-se da cama e foi passear pelo terraço do palácio. Do terraço viu uma mulher muito bonita tomando banho,

³ e mandou alguém procurar saber quem era ela. Disseram-lhe: "É Bate-Seba, filha de Eliã e mulher de Urias, o hitita".

⁴ Davi mandou que a trouxessem, e se deitou com ela, que havia acabado de se purificar da impureza da sua menstruação. Depois, voltou para casa.

⁵ A mulher engravidou e mandou um recado a Davi, dizendo que estava grávida.

⁶ Em face disso, Davi mandou esta mensagem a Joabe: "Envie-me Urias, o hitita". E Joabe o enviou.

⁷ Quando Urias chegou, Davi perguntou-lhe como estavam Joabe e os soldados e como estava indo a guerra,

⁸ e lhe disse: "Vá descansar um pouco em sua casa". Urias saiu do palácio e logo lhe foi mandado um presente da parte do rei.

⁹ Mas Urias dormiu na entrada do palácio, onde dormiam os guardas de seu senhor, e não foi para casa.

¹⁰ Quando informaram a Davi que Urias não tinha ido para casa, ele lhe perguntou: "Depois da viagem que você fez, por que não foi para casa?"

¹¹ Urias respondeu: "A arca e os homens de Israel e de Judá repousam em tendas; o meu senhor Joabe e os seus soldados estão acampados ao ar livre. Como poderia eu ir para casa para comer, beber e deitar-me com minha mulher? Juro por teu nome e por tua vida que não farei uma coisa dessas!"

¹² Então Davi lhe disse: "Fique aqui mais um dia; amanhã eu o mandarei de volta". Urias ficou em Jerusalém, mas no dia seguinte

¹³ Davi o convidou para comer e beber, e o embriagou. À tarde, porém, Urias saiu para dormir em sua esteira onde os guardas de seu senhor dormiam; e não foi para casa.

¹⁴ De manhã, Davi enviou uma carta a Joabe por meio de Urias.

¹⁵ Nela escreveu: "Ponha Urias na linha de frente e deixe-o onde o combate estiver mais violento, para que seja ferido e morra".

¹⁶ Como Joabe tinha cercado a cidade, colocou Urias no lugar onde sabia que os inimigos eram mais fortes.

¹⁷ Quando os homens da cidade saíram e lutaram contra Joabe, alguns dos oficiais da guarda de Davi morreram, e morreu também Urias, o hitita. ¹⁸ Joabe enviou a Davi um relatório completo da batalha.


2 Samuel 11:1-18



O que temos aqui é um rei deixando de ir a uma guerra para descansar (reis eram primordiais em guerras, era obrigação de Davi estar presente). Ficando em casa, observa Bate-Seba (mulher de Urias se banhando no ritual de purificação). Davi viu que a mulher de Urias era bela e pediu para que fosse chamada à sua presença, onde então os dois tiveram relações. Bate-Seba engravida; Davi tenta contornar essa situação tentando fazer com que Urias também tivesse relações com sua mulher, porém não consegue. A solução que Davi viu logo em seguida foi a de matar esse homem que tanto lhe ajudava na guerra. O filho que nasceu, fruto desse adultério, foi Salomão, seu sucessor.

Após esse ocorrido, Davi tentou ao máximo esconder esse pecado que havia realizado. Todavia, o pecado, além de ser ruim, traz uma consequência. Se eu buscar esconder meus erros, irei me afundar cada vez mais neles, apenas cometendo mais pecados. Mas eu não quero passar a imagem de que erro tantas vezes, então deixarei ainda mais oculto.

Daí que surge o Salmo 32, uma confissão de alguém afundado em pecado que encontrou uma solução para ser liberto daquilo que nos escraviza:


¹ Bem-aventurado aquele cuja transgressão é perdoada, e cujo pecado é coberto.

² Bem-aventurado o homem a quem o Senhor não imputa maldade, e em cujo espírito não há engano.

³ Quando eu guardei silêncio, envelheceram os meus ossos pelo meu bramido em todo o dia.

⁴ Porque de dia e de noite a tua mão pesava sobre mim; o meu humor se tornou em sequidão de estio. (Selá.)

⁵ Confessei-te o meu pecado, e a minha maldade não encobri. Dizia eu: Confessarei ao Senhor as minhas transgressões; e tu perdoaste a maldade do meu pecado. (Selá.)

⁶ Por isso, todo aquele que é santo orará a ti, a tempo de te poder achar; até no transbordar de muitas águas, estas não lhe chegarão.

⁷ Tu és o lugar em que me escondo; tu me preservas da angústia; tu me cinges de alegres cantos de livramento. (Selá.)

⁸ Instruir-te-ei, e ensinar-te-ei o caminho que deves seguir; guiar-te-ei com os meus olhos.

⁹ Não sejais como o cavalo, nem como a mula, que não têm entendimento, cuja boca precisa de cabresto e freio para que não se cheguem a ti.

¹⁰ O ímpio tem muitas dores, mas àquele que confia no Senhor a misericórdia o cercará.

¹¹ Alegrai-vos no Senhor, e regozijai-vos, vós, os justos; e cantai alegremente, todos vós que sois retos de coração.

Salmos 32:1-11



Cobrir os pecados nos enfraquece e nos traz sofrimentos. Um corpo fraco é uma isca perfeita para Satanás trabalhar. Nossa comprovação está em Mateus 4, onde o diabo esperou Jesus ficar com fome no deserto para poder tentá-lo.

Então, se eu cair em tentação, pecar, pois infelizmente fui e sou fraco, o que devo fazer? Vamos achar nossa solução a partir de uma perspectiva do Salmo 32 e Mateus 4:


1 - Confesse esse caso a Deus e, se tiver algum amigo de confiança, faça isso também


Enquanto Davi buscava cobrir seus pecados, ele apenas se enfraquecia. Vamos ler novamente os versículos 1 e 2:


¹ Bem-aventurado aquele cuja transgressão é perdoada, e cujo pecado é coberto.

² Bem-aventurado o homem a quem o Senhor não imputa maldade, e em cujo espírito não há engano.

Salmos 32:1,2


Ter os pecados perdoados por Deus nos traz paz. Portanto, devemos perder nossa vergonha e muitas vezes até desinflar nosso ego para confessar que erramos e pedir o perdão de Deus. Só conseguimos realizar essas ações se passarmos a olhar cada vez mais para quem somos e nos questionar: "O que tenho feito de errado?". Davi, no início do pecado, não via como problemático cobiçar a mulher do próximo, adulterar e matar uma pessoa (isso porque Moisés já havia escrito que eram leis que não poderíamos quebrar; veja os dez mandamentos em Êxodo 20). Enquanto ele não olhasse para si, não entenderia por que estava com o coração tão conturbado. Em 2 Samuel, no capítulo doze, o profeta Natã precisou dar esse banho de realidade em Davi para que ele se arrependesse. Olhar o nosso interior é fundamental, reconhecer os nossos erros é essencial e confessá-los é libertador.

Então eu sei que preciso confessar meus pecados para Deus, e se eu confesso, ele irá me perdoar e sentirei paz. Logo, posso pecar à vontade e depois é só pedir perdão, certo? Espero que não tenha pensado nisso; todavia, se pensou, saiba que está completamente errada essa afirmação. Isso na atualidade é chamado de HIPERGRAÇA, e isso não existe. Deus perdoa nossos pecados, mas um sinal de santificação e de que realmente estamos andando nos caminhos retos é o de buscar corrigir os erros e não praticar mais.

Que tenhamos essa tarefa:

  1. Olhar para dentro de nós e mapear nossos pecados;
  2. Confessar a Deus;
  3. Evitar repetir os mesmos erros.


2 - Fique atento após o arrependimento


Já vimos que reconhecer o pecado é uma atitude que nos liberta, pois estamos começando a olhar cada vez mais para dentro, deixando de observar outras pessoas e pensando: "O QUE EU PRECISO CORRIGIR EM MIM?".

Ter essa postura nos trará alguns resultados:

  1. Menos julgamento: Deixarei de procurar o cisco no olho do meu irmão, pois sei que existe uma trave no meu;
  2. Autoconhecimento: Terei maior visibilidade de quão falho sou;
  3. Paz interior: Se corrijo alguma falha, tenho paz e satisfação de vencer essa batalha (E É AQUI QUE MORA O PERIGO).


Ao corrigir um pecado, devemos ter em mente que o inimigo é astuto. Ele vai achar uma outra brecha na minha vida para que me enfraqueça. Algo que parece inofensivo, mas que destrói nossas vidas da mesma forma.

Trarei um exemplo para entender o perigo de não ficar atento com as estratégias do inimigo: já tenho os meus pecados mapeados (pelo menos os principais) e estou lutando para vencê-los. Recentemente tive a excelente vitória de conseguir vencer um dos pecados a respeito da imoralidade (visualizar e sentir desejo por quem não me pertence, apenas porque a parte física da pessoa me chama atenção). Tratei esse pecado como o problema principal da vida. Identifiquei os ambientes que facilitavam a queda, tipos de filmes e séries que facilitavam a ação e formas de como trocar o foco da mente.

Consegui vencer o problema. Só que sabemos que o inimigo é astuto e, de forma implícita, ele cria alguma armadilha para adicionar um novo pecado. Essa falha já é conhecida, mas também nunca dei valor por achar que não tinha problema; mas nos últimos dias, tem me destruído tanto quanto os pecados da imoralidade, que é a bendita "fofoca". Ela entra em nossas vidas e, no momento do ato, nos traz alegria em executar; ficamos até felizes em difamar o próximo, pois ao praticar esse pecado inflamos nosso ego e temos uma falsa sensação de superioridade. A consequência é uma destruição psicológica e espiritual.

Voltei ao passo um: preciso confessar esse pecado e corrigir para não repetir. E, sempre que nos corrigirmos, precisamos ficar atentos para não cair em uma nova cilada. Esses dois pontos são fundamentais. A todo momento que reconhecemos nossos erros, olhamos para nós, confessamos eles, realizamos as correções necessárias e ficamos atentos para as próximas armadilhas, nos santificamos para buscar ser cada vez mais parecidos com Cristo.


Que venhamos a crescer em graça e conhecimento da palavra de Deus!

Que Deus nos abençoe.